Metanóia...

Leia. Reflita. Inspire-se. Mova-se.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Heresias Compartilhadas - Entre a Aurora e o Crepúsculo...



Por Jéter Marinho dos Santos

Após a sua criação, homem e mulher passaram a habitar um jardim, no Éden. Árvores vistosas e de saborosos frutos, animais sem ferocidade e sem peçonha – um habitat saudável e harmônico. No seu labor cotidiano, que não lhe era pesado, lavrava o homem aquele jardim e o guardava. Suas tarefas habituais, apesar de rotineiras, não se tornavam enfadonhas, afinal, desde o amanhecer, havia uma expectativa pelo final do dia: impreterivelmente o próprio Deus viria ao jardim, para dialogar com aquele casal. 


Certo dia, como nos outros, descortinou o alvorecer o início de mais um agradável dia. Lá prás tantas, estranhamente, deparou-se a mulher com uma proposta inusitada de uma serpente que falava. Mas parece não ter sido a própria fala da serpente que causou estranheza à mulher, e, sim, a proposta formulada: “- é certo que todas as demais árvores do jardim produzem excelentes frutos, mas que tal sair da rotina e experimentar de um fruto até então não saboreado? Certos conhecimentos não precisam estar necessariamente restritos ao Criador – criaturas inteligentes também podem ter acesso e serem tal como Deus” - Eis novamente a idéia concebida por Satanás, ainda quando estava no Céu, agora sugerida sorrateiramente ao ser humano. Havia, no entanto, uma proibição do próprio Deus quanto àquela fruta e uma severa pena para o infrator – a morte!  Mas como a possibilidade de escolha é uma expressão da própria racionalidade do ser humano, seduzida pela audição, fragilizada pela concupiscência dos olhos e pela soberba do conhecimento, a mulher tomou do fruto e o comeu. E não foi só isso: sem muito esforço (ao que parece) convenceu também o marido, que veio a participar daquele banquete fascinante.  Surpresa! Descobriram, então, que estavam nus e se desesperaram, pois, assim como nos outros dias, o entardecer viria, logo depois o crepúsculo, a viração do dia – a hora da impreterível visita do Criador. O que fazer então até a hora do crepúsculo? Pouco tempo restava. A nudez era patente, não havia como simplesmente ignorá-la. Havia uma angústia no coração, e isso os incomodava, envergonhava e lhes tirava a paz. Mas o que fazer em poucas horas? A solução não demorou: tomaram folhas de figueira, que foram costuradas na confecção de aventais. Seria o suficiente para esconder ao menos a incômoda nudez. Que dia para esquecer...  Foi-se a paz e veio o desespero. Sabe-se lá como seriam a noite e os dias seguintes. Os aventais seriam mesmo suficientes para encobrir a nudez descoberta? Aquela conversa de morte pela desobediência, que a serpente maligna negou, ocorreria de verdade? Haveria como se desculpar diante do Criador, transferindo a própria culpa para outrem? Talvez a culpa fosse até do próprio Deus, que criou a nociva serpente...  

Chegado o crepúsculo. Na mesma hora, no mesmo lugar, veio o fiel visitante conversar com o casal. Mas, logo ao chegar, estranhou a ausência dos demais interlocutores. Estavam agora escondidos, mesmo vestidos com os aventais de figueira. Na aflição e angústia, esqueceram-se até de que o Criador é onisciente e inutilmente se ocultaram entre as árvores. Chamou-os então o Senhor pelo nome. Por detrás das plantas saíram desconfiados. Inúteis argumentações (desculpas), transferências de culpa, enfim, a confissão: haviam transgredido exatamente o único mandamento proibitivo. Naquele entardecer, o aprazível jardim agora era palco de um dos julgamentos mais célebres da história do homem. Foi proferida a sentença pelo justo Magistrado: os réus foram condenados com penas proporcionais às respectivas culpas e o casal despejado daquele magnífico lugar. Mas o criador não era apenas um implacável juiz. Outros dos seus atributos são a misericórdia e o amor incondicional ao homem. Por isso cuidou logo, Ele mesmo, de sacrificar um animal inocente e da pele fazer túnicas para substituir aqueles provisórios, vulneráveis e inúteis aventais de figueira. Muitas coisas ocorreram entre a alvorada e o crepúsculo. Que dia para esquecer... Como seria, agora, passar uma longa noite fora do jardim?...  De fato, entre o amanhecer e a tardinha, muita coisa pode acontecer nas nossas vidas e alterar os rumos propostos por Deus. O que hoje fazemos entre o raiar do dia e o anoitecer das nossas vidas? 

O que fazemos acontecer entre o berço e a sepultura, entre a maternidade e o cemitério? Há uma proposta simples para nós formulada por Deus, que implica em bônus pela obediência ou em ônus pela transgressão: “a alma que pecar, essa morrerá!”. Ao mesmo tempo em que gradativamente adquirimos essa consciência acerca dessas alternativas, somos também dotados do livre arbítrio, para exercermos a escolha. No passar do tempo, deparamo-nos também constantemente com propostas falaciosas da enganadora serpente, que ousa afirmar, com toda segurança e com muita astúcia, que não existem sanções para os transgressores. Oferece-nos manjares proibidos, que não suprem, na verdade, as nossas necessidades, apenas as deixam mais expostas. Temos nossas carências (nudez), posto que não somos deuses ou semi-deuses, mas em Cristo elas se tornam imperceptíveis e de nada temos falta (Sl 23.1). A nossa concupiscência, no entanto, nos inclina ao pecado. Somos tolos em acreditar nas mentiras de Satanás sem medirmos as conseqüências dos nossos erros, acreditando na impossível hipótese de inexistência de julgamento ou que, se formos julgados, poderemos nos explicar ou nos desculpar, transferindo a nossa culpa.  E padecemos as conseqüências das nossas transgressões. Fomos privados da glória de Deus.  Mas em nós há ainda um resquício do sopro de vida dada pelo Criador e chegamos a perceber quando erramos: algo nos incomoda, nos tira a paz. Procuramos, então, soluções paliativas para encobrir nossos pecados. Por nossa própria capacidade e inteligência lançamos mão de subterfúgios e construímos nossos próprios aventais. Mas são apenas frágeis aventais de folhas, não são túnicas duradouras. As folhas logo apodrecem e novamente a nudez é exposta.  E o homem peca e morre... 

Teria, então, prevalecido Satanás sobre o expoente da criação divina? Teria ele alcançado inteiramente o seu intento, comprovando assim a inconseqüência divina na criação do homem? Qual seria então a solução para o homem, já que Deus mesmo, por seu justo caráter, não poderia prescindir do julgamento anunciado? Alguma vítima inocente teria de ser sacrificada, para nos serem feitas vestes duradouras. Eis, então, o sacrifício na cruz. Um ser divino, 100% humano, sujeito às mesmas inclinações do primeiro homem, foi submetido a pesadas tentações, dando a fórmula da reconciliação e entregando-se, ao final, em sacrifício, pelas vidas dos demais.  Se quisermos, e somente se quisermos, teremos os aventais substituídos por túnicas, ou então permaneceremos, mesmo com os frágeis aventais, buscando, inutilmente, nos escondermos do Criador. Não sei em que horas do dia você se encontra, se em meio à tentação, quando ainda pode ser vitorioso. Ou será que já caiu e agora procura recuperar-se por sua própria iniciativa, ou até esconder-se de Deus? Ainda há solução para essa sua nudez.  O certo é que o crepúsculo inevitavelmente irá chegar e nessa oportunidade o próprio Deus também virá. Desfrutaremos, então, da sua comunhão ou padeceremos na eterna noite a sentença do seu julgamento?  

O que ocorre entre a aurora e o crepúsculo das nossas vidas define a nossa eternidade.

2 comentários:

  1. Texto muito bem escrito. Gostei da forma como o autor escreveu e passou as idéias, mas não entendi aonde estão as heresias. Recomendo este post do meu blog que aborda o mesmo tema: .http://heresiascompartilhadas.blogspot.com/2010/02/sobre-o-jardim-secreto-para-o-eden.html
    Vou ler os outros textos aqui do blog e ver se encontro as heresias!hehehe

    ResponderExcluir
  2. Bom texto. Fluente. Meio confuso...

    Abraços!

    ResponderExcluir